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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Diário dos oprimidos

Eu estava lá, ele estava lá. Olhando pela janela percebi-o do outro lado. Me mirando, analisando, perguntando por risíveis olhares o que eu ainda fazia ali.
“Por que não foge?”, “Por que não grita?”, “Por que não faz nada???
E eu ali, olhando ele me fazer aquelas infinitas perguntas sem dizer uma palavra.
__ Não sei, respondi em fim.
E ainda sem sequer mover as pálpebras dos olhos visualizei-o. Um anjo. Da vida ou da morte? Do bem ou do mal? De redenção ou perdição????
A velha também estava lá, a fumar seu cachimbo amargo, todavia não parecia se importar com o gosto. Às vezes o gosto do amargo é doce.
Ela observava tudo: ele ali a me questionar, me apunhalando infinitamente por todos os ângulos, eu aqui a seguir sem resposta...
Maldita velha, deve ser um mágico mal sucedido. Oz.. só que sem tijolos amarelos nem encanto, somente Oz, o mágico fracassado refém de suas máscaras.
E a velha continuava lá, e continuaria por toda eternidade.

1 comentários:

L'Amoureuse disse...

Há dúvidas que existem para nos revelar a nós mesmos... O inacreditável do momento se reflete, e duvidamos viver o que vivemos. Mas vivemos sim. Estamos, sim, ali. Na vida, na bainha da morte, no meio de todo e qualquer espaço. Estamos todos ali, Tertúlia.

Também temos um blog: lamoureusedoublement@blogspot.com

Também duvidamos se estamos perdidos ou não. Vale a pena tentar descobrir...