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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Adeus

Uma garça pousou sobre o lago, alguém fotografou. Um coração apaixonado para presentear sua amada com tão bela imagem. Era seu aniversário.
Um ano depois a amada era a mesma, mas o presente era outro. “Não é justo, seja feliz”.
“Leia este Perfume...como se fosse uma viagem no tempo em que tudo era apenas um conto de fadas...” e “Seja feliz”. Foram essas as últimas palavras que sentiu de um sonho. Assim fora puxada da ilusão à vida real. Fugitiva de uma realidade irreal, andando numa trilha só sua, sequer percebeu que andava só!
Criança diz cada uma! E uma delas uma vez falou que o palhaço não tem graça, que os bebês são bobos porque se riem quando enxugados depois do banho, eles acham que é brincadeira, pode?
Uma vez acordou com saudade, saudade de dias que não aconteceram, ilusões que não passaram disso. Nunca mais o belo ritual de tomar um drink, subir as escadas, olhar a paisagem e depois descer. Nunca mais o ritual de conversar depois amar, depois se rir e tornar a conversar, só pra depois começar tudo de novo.
Ele era dela. Pelo menos em seus mais sacros sonhos ele era a fantasia de que ia ser real de verdade. Nunca pôde dividir com ninguém seus sentimentos mais bonitos. Nunca conseguiu se fazer crer através de gestos ou frases proferidas.
Já passou, mas ainda é próximo. Algum dia serão distantes tempos de outrora, tempos de amor, tempos de rir com paixão, de acreditar que tudo é possível.
As lágrimas não eram suficientes para lhe fazer crer que tinha sido da maneira que foi porque devia ser. As lágrimas se vertiam face abaixo, rolavam da base dos olhos ao final da curva do queixo, por dias não vividos, por uma viagem que nunca se realizou, por livros não lidos, filmes não vistos, por pessoas que sequer conhecera e, provavelmente, nunca iria conhecer.
Seria justo alegar, num rompante ponderado, que fugir era a saída para uma situação que se julga injusta? É sempre mais fácil correr, negar, dar as costas, muito embora se afastar algumas vezes seja prova de coragem. Ah mas os poetas, os poetas não precisa de demonstrações de coragem, poetas precisam de gestos de amor. Precisam é acreditar que o romance ainda existe, que a preta ainda está na janela, que o doce ainda espera.

4 comentários:

CAROL disse...

Muito bom mesmo, como poderia ser diferent? feito por alguém totalmente competente.

CAROL disse...

Muito bom mesmo, como poderia ser diferente? feito por alguém totalmente competente.

CAROL disse...

Muito bom mesmo, como poderia ser diferente? feito por alguém totalmente competente.

Sônia Matos disse...

O retrato de uma mulher que amou, foi amada, mas acabou, e o velho desejo unilateral: seja feliz!Isso corrói a alma porque é a verdade nua e crua, seja feliz pois comigo não será, somos imcompatíveis, seu lugar é ao lado de outro não ao meu lado. A inegável vontade de voltar atrás, remediar, refazer pra ver se no final acaba em final feliz,tentar prender a areia com as mãos, dia de finados, relembrar o que passou, pessoas, amores e porque não dizer desamores. Apesar dos pesares lutando para manter-se sã e seguindo os desejos, buscando ser Feliz!
Belo texto Denise.