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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O caso do outro beijinho

E aquele beijo danado, que escorregou pelos cabelos da amada?
Ele tem uns irmãos, sabia?
São estes tão enamorados quanto àquele.
Um deles resolveu matar saudade.
Era também um beijo vadio.

Desceu sorrateiro pelo rosto, deu alegres saltos nas almofadas dos lábios.
Percorreu a esfera perfumada do pescoço da donzela apaixonada.
Escorregou pelos montes do colo úmido, cujas gotas brincavam e se riam das reservas de prazer do poeta.
Deu uma volta nas coxas e escorregou pelas pernas.

Guerreiro que era, o bravo beijinho despencou até o chão,
procurou pelo amado e o encontrou fazendo poesia no planalto,
em meio a tumulto e confusão.

Apressadamente o beijinho escalou-lhe as calças, passeou pelas costas, deu a volta e esteve na barriga.
Andarilho, passou também pelo peito do poeta, deixando sempre o rastro de paixão, trazido da moleca esfumaçada.

Na boca ofertou-lhe longo beijo...
Também prometeu fazer-lhe corar com outras piadinhas sujas de amor,
para que a amada não seja a única a sorrir encabulada.

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