Pesquisar este blog

Carregando...

Estatísticas

Me siga por Email!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O *sincericídio de Ferréz e a beleza de Wilde

Quero o repouso da verdade,

a certeza de que terei ao meu lado

o conforto de sinceros amigos.

Ainda ontem, lendo uma edição de “Caros amigos”, me deparei com um intrigante texto de um escritor para mim ainda desconhecido, o paulista Ferréz. Escritor marginal, morador de periferia. Através de seu texto “Sincericídio” Ferréz me abraçou e me se fez íntimo comigo.

Suas palavras contundentes mas esperançosas me encheram de otimismo e de um companheirismo há muito não experimentado. Sua prosa é ágil, dinâmica e cheia de verdade, árida e de poder de veracidade letal.

Lido o texto não pude deixar de lembrar Wilde e sua definição de vaidade, sua apresentação da derrocada do culto que fazemos a nós mesmos. Do amor de Doryan por Sibyl Veyne, por suas inúmeras facetas shakesperianas, do questionamento de quantas representações cabem em nosso corpo, as pessoas feias, a vaidade, a ausência de vaidade em muitas pessoas ditas feias.

Os seres despidos de vaidade apresentam-se mais a vontade nos ambientes, deixam de ser escravos, libertam-se do cárcere, fogem do comedimento e se deixam vazar de si para si. Não usam máscaras. Eles se apresentam nus. Conforme Barthes: "se aberram livremente segundo a verdade do desejo”.

Sempre analisei a vaidade sob o ponto de vista de Wilde como uma contestação às mentiras sociais. Enquanto leitores temos o direito de fazer nossas inferências particulares, que podem fugir aos protocolos exagerados e rígidos dos críticos e intelectuais / literatos. Partindo daí possibilito-me configurar um paralelo delicado entre a vaidade de Wilde e as verdades de Ferréz.

Entendendo a mentira como sinônimo de vaidade permito-me um pouco mais: se a verdade muito nua não excita os homens, então talvez a mentira seja a carta de alforria dos viventes, e o sincericídio a saída para quem já está cansado.

*Expressão do escritor marginal Ferréz, que define o constante suicídio em massa a que somos submetidos diariamente com as mentiras e máscaras necessárias à nossa sobrevivência social.

1 comentários:

D.F. disse...

Seu texto me fez lembrar um filme muito bacana que assisti, o título, salvo engano, é Na Natureza Selvagem (Into the Wild). Nele há um ótimo exemplo de sincericídio. Aconselho assistir, lindas paisagens... Aliás, seu texto ficou excelente! Me deu vontade de ler os textos de Férrez e Wilde