"Certa vez alguém me disse que as coisas na vida da gente são providenciais. Tenho dúvidas. De repente essa é mais uma das tantas estratégias de refúgio dos vivos do mundo. Refúgio para não admitir o quanto a vida pode ser injusta com fatos e situações..."
Quando olhou para dentro dos próprios olhos viu uma menina perdida num labirinto. Ela era uma garota assustada, mas agora tornara-se uma mulher, fora obrigada a tornar-se mulher.
Mesmo ciente de todas as obrigações e circunstâncias que a forçavam a ser assim ela tinha medo. Queria correr, tinha vontade de gritar perambulando pelas praças que traziam recordações de sua infância, de tempos que lhe eram cofortáveis. Parecia Alice: perdida, sem horizonte e constantemente ludibriada pela aparência de tudo. Era falso.
Quando resolveu reler “O pequeno príncipe” não imaginou que seria tão emocionante e simbólico, como da primeira vez. Era outra época, outra idade e, mesmo assim, as sensações foram as mesmas.
A ingenuidade do garoto não foram estranhas, elas remetiam à sua própria ingenuidade, quando era criança.
A ênfase dada com tanta freqüência à importância da permanência do espírito infantil nos adultos, cheios de si, portadores de tanta segurança remeteram à épocas em que era permitido ser frágil.
Essa interrupção brusca a que somos submetidos no decorrer da existência provoca nos seres uma enorme sensação de vazio. Pensando nisso, então, quis ter certeza que sua criança permanecia intacta lá dentro dela mesma, que seus olhos ainda guardam as lembranças da pureza infantil.
Achou doloroso pensar que podemos ter perdido aquela magnífica ingenuidade, imaginar que toda sua representação e simbolismo pode se perder com o passar dos anos. Esse pensamento a remeteu à conclusão de que a humanidade é fria e incapaz de perceber a simplicidade em que a vida se apresenta.
sábado, 26 de junho de 2010
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