Minha relação com Saramago é ténue. Fui apresentada a ele quando contava apenas 16 anos e me deparei com seu "Memorial do Convento".
E dele foi o que li.
Hoje, quase 10 anos depois, sua morte me tocou. Senti-me irresponsável e relapsa por não ter lido mais, assim, o que nutro pelo escritor português é a ignorante admiração de quem conhece pouco, mas sabe que é bom. Um ser paradoxal: comunista ateu, sem fé em Deus mas ainda com fé nos homens.
Numa de suas entrevistas Saramago afirmou que no mundo de hoje "Quem é otimista é estúpido, insensível ou rico", toda via a última edição de sua "Jangada de pedra" foi completamente convertida em fundos beneficentes para as vítimas da tragédia do Haiti. Me pareceu contraditório, todavia tenho para mim uma ingênua teoria: a de que quem escreve tão bem não pode ser tão mal.
sábado, 19 de junho de 2010
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